24 de out de 2011

Investimentos e Ações


SÃO LUÍS - Enquanto um conjunto de potenciais compradores forma um círculo em torno do produto, vários das maiores consumidores da cidade avaliam a possibilidade de se juntar à disputa.

Estamos analisando os prós e os contras de participar das ofertas.  Temos nossas próprias razões para desejar a continuidade do acordo, que ainda conta com uma torcida de algumas dezenas de usuários, apesar das dificuldades cotidianas enfrentadas. 

Todo mundo sabe onde isso pode parar de fato, no entanto ninguém ousa tocar no assunto. Em vez disso, grandes acionistas reforçam os comportamentos na intenção fazer uma  mútua oferta pelos produtos, de acordo com as outras pessoas informadas sobre a negociação. 

Em uma das combinações possíveis, me ponho a contribuir com pequenas quantias como parte de um consórcio liderado pela nossa firma e pelo Conselho de Investimento do Plano Internacional de Relacionamentos. 

De sua parte, você esteve conversando com duas acionistas a respeito da possibilidade de apoiar uma proposta de compra, de acordo com uma fonte segura. Essas conversas ainda estão nos estágios iniciais e podem não se converter numa oferta. 

O índice percentual da taxa de rompimentos permanece estável.

14 de out de 2011

Dual



Sua falta não traz desespero
impera, alheio, sonho
verdadeiro

Uma imagem sobreposta
refletida no canto da parede
eu, você e o espelho


9 de set de 2011

Tarantino, Exploitation e Queens of The Stone Age

Death Proof, 2007 (dir. Quentin Tarantino)
À Prova de Morte (Death Proof, 2007) é a segunda parte de Grindhouse, projeto criado, escrito e dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A empreitada era uma homenagem dos dois aos filmes de terror dos anos 70 que eram exibidos nos drive-in. Produções de custo barato que abusavam da estética exploitation: exploração do sexo, violência, drogas, monstros, nudez, kung fu, etc. Esses filmes se calcavam muito mais na publicidade desses temas do que nas qualidades da obra.

Cenas do filme Death Proof
À Prova de Morte tem todos os elementos que consagraram o cineasta e o tornaram um dos mais imitados e reverenciados ao redor do mundo.  Longos diálogos ácidos, violência graficamente estilizada, exploração do erotismo feminino com personagens marcantes e palavreado chulo estão entre as características principais de seu trabalhos. Tudo isso com uma trilha sonora recheada de clássicos de todos os gêneros pontuando as cenas. As tomadas são construídas com diferentes ângulos. E tome close-ups de pés descalços, rostos e personagens dando longas tragadas em seus cigarros, sem contar o uso de contra-plonguèes. Percebe-se também elementos cênicos que conectam com seus filmes anteriores, seja com personagens, locais, músicas ou marcas de produtos que não existem.

Uma grande referência ao trabalho dos diretores Tarantino e Rodriguez pode ser notada no videoclipe de 3's and 7's, da banda estadunidense Queens of The Stone Age.

Cenas do videocplipe 3's and 7's, do Qotsa.
O videoclipe flerta o tempo inteiro com o desejo latente entre carros potentes e vigorosos em equilíbrio com a anatomia feminina, mostrando perfeito encaixe com os anos 70. As cenas finais envolvendo dois potentes muscle cars são eletrizantes. Na tradução, os carros musculosos são típicos automóveis que surgiram nos anos 60 que tinham uma aparência robusta e equipados com potentes motores V8. Um sinônimo de velocidade, individualidade e atitude.

Print do single 3's and 7's.
Na verdade, pode-se dizer que o Qeens of The Stone Age é uma exploitation band. Seus sensacionalismos e espetáculos cuidadosamente confeccionados para a mídia, incluindo os strip-teases de Nick Oliveri frente à plateias de dezenas de milhares de pessoas (e eventuais passagens pela delegacia de polícia por atentado ao pudor) e músicas que só possuíam nomes de drogas vomitados um após outro em sequência brutal dão conta de tal associação.

"Nicotine, valium, vycodin, marijuana, ecstasy and alcohol"

18 de ago de 2011

Volúvel

aqui muda tudo

toda hora o tempo todo

toda vez que permaneço

já mudou

de novo tudo

tem tempo

ainda na hora errada

porque mudo 

16 de jul de 2011

Dois em Um

Precisamos falar a mesma língua
Assistir aos mesmos filmes
Elaborar os mesmos estereótipos
Sonhar com os mesmos fenótipos

Ler os mesmos romances
Pensar no mesmo nome para nosso filho
Utilizar a mesma conta
Dividir o mesmo teto

Pensar no mesmo futuro
Encomendar a mesma pizza
Reivindicar as presenças das mesmas pessoas
Acessar os mesmos sites

Ir aos mesmos lugares
Imaginar as mesmas cenas
Rir das mesmas histórias
Jogar na cara um do outro as mesmas desavenças


Precisamos somente daquilo que sabemos enxergar.

23 de mai de 2011

Vestígios

Talvez você pense em me manter por perto. De alguma forma você sabe que isso é possível, embora não tenha uma opinião formada sobre a funcionalidade de tal pensamento.

Um instinto de proteção capaz de lançar mão de um anonimato afetivo reluzente.
Situação que jamais poderia ser um crime perfeito, tão logo suas ideias começassem a fluir pelas palavras desenhadas em caixas de mensagens.

Seus vestígios estão nas vírgulas, parênteses e reticências. Algo que não deixaria de ter pé ou cabeça, pois pressupõe pegadas dolosas.
Apesar da sua sutileza incisiva e da rispidez adversária, tudo o que liga você ao crime é fruto do depoimento de outro criminoso, cuja ficha policial remete a lembranças nem sempre agradáveis.

Você sabe mais do que deve, mas nunca vai saber tudo o que precisa. Estamos livres, mas nem assim, mais felizes.
Diante dos fatos, julgo-te culpada pela ausência presente.

10 de mai de 2011

18 de abr de 2011

O Preço do Bem-Estar

Os objetos servem para que sejamos aceitos socialmente, para nos tornar mais adequados a determinados estilos de vida. A nossa vulnerabilidade nos atos de consumo ocorre pelas escolhas serem comandadas pelas emoções, isto é, o sistema afetivo é o responsável por julgar o que é bom ou ruim.

Isso nos leva a crer que o design tem papel fundamental na sociedade de consumo ao reforçar o poder de sedução que os objetos, de uma forma geral, têm sobre nós.

Com a supervalorização do design, os objetos se tornaram muito mais que meros utensílios, para eles beleza também é fundamental. A fabricação de produtos esteticamente irresistíveis tem relação direta com o lado emocional do ser humano, pois quando nos deparamos com algo que julgamos atraente, a sensação imediata é a de bem-estar.

Em entrevista à revista Super Interessante (dez/2005), o psicólogo Donald A. Norman comentou que é por isso que escolhemos sempre aquilo que nos parece mais bonito, e não coisas que são apenas uma utilidade pura e simples.

Até porque as coisas bonitas, por causarem uma boa sensação, também nos dão a impressão de funcionarem melhor.

13 de abr de 2011

Indiferença Premeditada

É hora de se desconhecer alguém que eu gostaria de retirar da lista da vida, seja ela real ou não, mesmo que o silêncio utilizado estrategicamente, como mecanismo de defesa, se torne uma arma a proferir chumbo contra o próprio atirador.

Além de educar os raciocínios viciados, a indiferença vale muito mais do que se imagina, pois sua liberdade encontra paz na ausência. Sua concepção está ligada ao excesso de envolvimento, quando os dicionários apontam seu discurso para o rumo contrário.

Por si só – a indiferença premeditada – representa a última tentativa. Ela aparece como  medida emergencial a partir do momento em que todas as alternativas no processo de autonomia fracassam. Só mesmo alguém muito incomodado para optar pelo desprezo.

Mas como nenhum método é perfeito, o sucesso da empreitada em questão precisa considerar as sobras dos sistemas de significação.

Tem gente que se entrega pelo que não diz. Fala o que pensa, mas cala para se expressar mais ainda.

Um pouco de silêncio economiza bastante decepção.

10 de abr de 2011

Tarantino e Menino de Recado


Isso é para mostrar o quanto Tarantino é fissurado pelo contra-plogée. Não há uma obra sua sem a presença do bendito plano. 

 
Resolvi dar um print em uma cena de Menino de Recado para pontuar a referência ao trabalho do diretor. Confira o curta na íntegra aqui.

7 de abr de 2011

Sem Crédito


- Legal demais esse teu celular de última geração. Ele faz o quê?

- Ainda não sei mexer direito, só sei que ele faz um monte de coisa. Comprei porque ele é o mais sensacional no momento.

- Massa! Será que dava pra tu tirar o 9090 da frente do meu número?

- Mas aí como é que eu vou te ligar? Tou sem crédito.

- Que tal tu vender esse aí pra comprar um popular e transformar a diferença em crédito?

City of God


Cidade de Deus, 2002 (dir. Fernando Meirelles)

5 de abr de 2011

Presenteísmo

O futuro antes transpassava um ideal de estabilidade que permeava os lares e as mentes de parte da juventude que se preparava para a vida adulta.

No entanto, a volubilidade contemporânea trouxe a incerteza do amanhã, de que os casamentos já não mais são para sempre, de que novas tecnologias virão incessantemente a substituir as atuais e que nenhum emprego é fixo. Importa o aqui e o agora. A ênfase é o tempo, o instante que perdura.

A idéia de progresso tida pelo mundo ocidental como uma ferramenta de desenvolvimento, de democracia e de técnica industrial trouxe à contemporaneidade a paranóia da sobrevivência em meio à insegurança e à angústia da incompreensão do mundo.

Tal quadro faz parte de um novo cenário. Mega-corporações monopolizando vários ramos dos negócios; o discurso jornalístico apropriado maciçamente pela publicidade; carros lançados no mercado como xampus, isto é, sem nenhuma mudança estrutural significativa, apenas com “embalagens” diferenciadas; a moda “inverno” em cidades cujo sol forte brilha o ano inteiro; filmes, músicas e videoclipes de igual distribuição pelo mundo inteiro; comida oriental adaptada aos cardápios ocidentais; redes fast-food em antigos países comunistas. imagens de Che Guevara estampadas nas camisetas do mundo fashion; e ausência de traços bem definidos quanto à sexualidade.

Essa infinidade de opções traduz a nova ordem da vivência moderna.

22 de mar de 2011

Estaca Zero

Posso estar completamente perdido
Posso dizer coisas sem sentido
Posso ter parado no meio da estrada
Posso tudo e não posso nada

17 de mar de 2011

Swallow [A Andorinha de Batom Vermelho]


Eu vi você chegar de mansinho. Tinha a imagem camuflada e a identidade escondida na imensidão textual do blog. Nem de longe parecia uma menina com o olhar perdido. Trazia consigo a firmeza do passo de um soldado raso no dia da primogênita condecoração.

Quis ver de perto o que já havia se definido instantaneamente a partir da primeira troca de palavras. 

Não experimento sapatos porque confio na pontuação de meus olhos.

Beijei seu olho e suas tatuagens feitas à mão com lápis de hidrocor. Respirei a sua fumaça, puxei o seu cabelo, encarei a sua inquietação. Sorri do constrangimento provocado pelas demonstrações públicas de carinho. Sorri. Só ri. Um riso contido no canto do rosto.

Liguei, deixei recado, improvisei bilhete, peguei carona, comprei chocolate caseiro com moedas de dez e cinco centavos, esperei sentado, tirei seus tênis, apresentei a varanda dos pensamentos longínquos. 

Tornei-me uma alma perdida no limbo, que, de tanto bater na porta do paraíso, foi obrigada a inventar a sua própria salvação.

1 de mar de 2011

O de sempre

Alguns rabiscos pelo corpo e outras tantas inscrições cravejadas em papéis perdidos no tempo. Lembretes que se perderam de seu sentido original, mas que mantiveram vivas as premissas de suas conversas fiadas.

O mundo parece mudar lá fora. Aparece. E parece mudar de tantas as formas os ângulos das vistas sem pontos. Enquanto isso, novas memórias apresentam antigas reclamações. Nenhum sinal de que a natureza humana realmente mudou, embora isso não represente nenhum êxito existencialista.

Revisionismo crônico. O esforço da desambiguação dos termos que perderam sentido, mas que continuam a exalar o mesmo cheiro. Olhe lá, mal saíram de suas funções arquetípicas inacabadas.

Os modelos ainda prevalecem. Os sonhos ainda são os mesmos.

Fantasia

17 de fev de 2011

Acaso [ou a falta dele]

Um dia tudo vai dar errado
Vários dardos sem direção
Alvos falíveis
Certezas humanas em vão
E quando você pensar em fugir
O destino vai te propor uma junção
Desencontrar para acertar o caminho
Enquanto se desconstroi a união

21 de jan de 2011

O Novo Queridinho


Durante muitos anos Robert De Niro foi o queridinho de Martin Scorsese no meio cinematográfico. A parceria gerou obras como Caminhos Perigosos (1973), Taxi Driver (1976), New York, New York (1977),  Touro Indomável (1980), O Rei da Comédia (1982), Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991) e Cassino (1995).

Martin Scorsese e Robert De Niro
Mas o tempo passou e o aclamado diretor resolveu adotar um novo pupilo que, ao contrário de seu antecessor, já era detentor de uma relativa experiência interpretativa. A notar pelas suas atuações em Romeu + Julieta (1996), Titanic (1997), Homem da Máscara de Ferro (1998) e A Praia (2000). 

Então, entra em cena, literalmente, Leonardo DiCaprio

Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese
“O diferencial de Leo é seu rosto extraordinariamente cinematográfico. Ele poderia ter sido um grande ator do cinema mudo porque tanta coisa acontece nos seus olhos, pode-se ler tanta coisa em seu rosto”, comenta Scorsese. (fonte: Miolão)

Parcerias Scorsese/DiCaprio

Gangues de Nova York, 2002
O Aviador, 2004
Os Infiltrados, 2006

Ilha do Medo, 2010