23 de mai de 2011

Vestígios

Talvez você pense em me manter por perto. De alguma forma você sabe que isso é possível, embora não tenha uma opinião formada sobre a funcionalidade de tal pensamento.

Um instinto de proteção capaz de lançar mão de um anonimato afetivo reluzente.
Situação que jamais poderia ser um crime perfeito, tão logo suas ideias começassem a fluir pelas palavras desenhadas em caixas de mensagens.

Seus vestígios estão nas vírgulas, parênteses e reticências. Algo que não deixaria de ter pé ou cabeça, pois pressupõe pegadas dolosas.
Apesar da sua sutileza incisiva e da rispidez adversária, tudo o que liga você ao crime é fruto do depoimento de outro criminoso, cuja ficha policial remete a lembranças nem sempre agradáveis.

Você sabe mais do que deve, mas nunca vai saber tudo o que precisa. Estamos livres, mas nem assim, mais felizes.
Diante dos fatos, julgo-te culpada pela ausência presente.

10 de mai de 2011