18 de abr de 2011

O Preço do Bem-Estar

Os objetos servem para que sejamos aceitos socialmente, para nos tornar mais adequados a determinados estilos de vida. A nossa vulnerabilidade nos atos de consumo ocorre pelas escolhas serem comandadas pelas emoções, isto é, o sistema afetivo é o responsável por julgar o que é bom ou ruim.

Isso nos leva a crer que o design tem papel fundamental na sociedade de consumo ao reforçar o poder de sedução que os objetos, de uma forma geral, têm sobre nós.

Com a supervalorização do design, os objetos se tornaram muito mais que meros utensílios, para eles beleza também é fundamental. A fabricação de produtos esteticamente irresistíveis tem relação direta com o lado emocional do ser humano, pois quando nos deparamos com algo que julgamos atraente, a sensação imediata é a de bem-estar.

Em entrevista à revista Super Interessante (dez/2005), o psicólogo Donald A. Norman comentou que é por isso que escolhemos sempre aquilo que nos parece mais bonito, e não coisas que são apenas uma utilidade pura e simples.

Até porque as coisas bonitas, por causarem uma boa sensação, também nos dão a impressão de funcionarem melhor.

13 de abr de 2011

Indiferença Premeditada

É hora de se desconhecer alguém que eu gostaria de retirar da lista da vida, seja ela real ou não, mesmo que o silêncio utilizado estrategicamente, como mecanismo de defesa, se torne uma arma a proferir chumbo contra o próprio atirador.

Além de educar os raciocínios viciados, a indiferença vale muito mais do que se imagina, pois sua liberdade encontra paz na ausência. Sua concepção está ligada ao excesso de envolvimento, quando os dicionários apontam seu discurso para o rumo contrário.

Por si só – a indiferença premeditada – representa a última tentativa. Ela aparece como  medida emergencial a partir do momento em que todas as alternativas no processo de autonomia fracassam. Só mesmo alguém muito incomodado para optar pelo desprezo.

Mas como nenhum método é perfeito, o sucesso da empreitada em questão precisa considerar as sobras dos sistemas de significação.

Tem gente que se entrega pelo que não diz. Fala o que pensa, mas cala para se expressar mais ainda.

Um pouco de silêncio economiza bastante decepção.

10 de abr de 2011

Tarantino e Menino de Recado


Isso é para mostrar o quanto Tarantino é fissurado pelo contra-plogée. Não há uma obra sua sem a presença do bendito plano. 

 
Resolvi dar um print em uma cena de Menino de Recado para pontuar a referência ao trabalho do diretor. Confira o curta na íntegra aqui.

7 de abr de 2011

Sem Crédito


- Legal demais esse teu celular de última geração. Ele faz o quê?

- Ainda não sei mexer direito, só sei que ele faz um monte de coisa. Comprei porque ele é o mais sensacional no momento.

- Massa! Será que dava pra tu tirar o 9090 da frente do meu número?

- Mas aí como é que eu vou te ligar? Tou sem crédito.

- Que tal tu vender esse aí pra comprar um popular e transformar a diferença em crédito?

City of God


Cidade de Deus, 2002 (dir. Fernando Meirelles)

5 de abr de 2011

Presenteísmo

O futuro antes transpassava um ideal de estabilidade que permeava os lares e as mentes de parte da juventude que se preparava para a vida adulta.

No entanto, a volubilidade contemporânea trouxe a incerteza do amanhã, de que os casamentos já não mais são para sempre, de que novas tecnologias virão incessantemente a substituir as atuais e que nenhum emprego é fixo. Importa o aqui e o agora. A ênfase é o tempo, o instante que perdura.

A idéia de progresso tida pelo mundo ocidental como uma ferramenta de desenvolvimento, de democracia e de técnica industrial trouxe à contemporaneidade a paranóia da sobrevivência em meio à insegurança e à angústia da incompreensão do mundo.

Tal quadro faz parte de um novo cenário. Mega-corporações monopolizando vários ramos dos negócios; o discurso jornalístico apropriado maciçamente pela publicidade; carros lançados no mercado como xampus, isto é, sem nenhuma mudança estrutural significativa, apenas com “embalagens” diferenciadas; a moda “inverno” em cidades cujo sol forte brilha o ano inteiro; filmes, músicas e videoclipes de igual distribuição pelo mundo inteiro; comida oriental adaptada aos cardápios ocidentais; redes fast-food em antigos países comunistas. imagens de Che Guevara estampadas nas camisetas do mundo fashion; e ausência de traços bem definidos quanto à sexualidade.

Essa infinidade de opções traduz a nova ordem da vivência moderna.