25 de mai de 2009

Pensei que...

- Ei Zé, anda triste assim porque ainda gosta da namorada e sente saudade dela?

- É.

- Não te preocupa, ela não vai voltar...

- ... a ser o que era?

- Não, pra você mesmo.

- Ah...

14 de mai de 2009

Autoengano Mórbido

Uma pessoa qualquer em busca de redução de sua massa corporal precisa entender que nada no meio externo pode ser mais forte que ela mesma. Sua capacidade de diminuir o peso está ligada ao nível de motivação ao qual se pode extrair o vigor necessário para manter o foco. Isto é, a motivação é um componente interior, assim como parte dos fatores emocionais ligados ao drama dos quilinhos a mais. 

O falso motivado paga a matrícula na academia e não vai, só para ter um conforto psicológico de que já deu o primeiro passo. 

É possível acreditar neste pseudo-esforço de maneira suntuosa desde que seja interiorizado, inclusive dando demonstrativos triviais a terceiros como prova de atitude e obstinação, corroborando o princípio da assimilação pela repetição. Uma infecção generalizada. É mais fácil comprar motivação na banca de revista que encarar a realidade do esforço contínuo e cotidiano, negligenciando a ênfase dos resultados positivos obtidos a longo prazo. 

Depois de tudo, o inquilino ainda vem reclamar do fracasso, quando todos na verdade viram que não houve empenho. Amigos, parentes e aderentes observaram que o apelo aos céus não eram condizentes, por isso resolveram motivá-la a encarar uma nova dieta sem apontar as falhas que viram. Colaboraram também para um pseudo-amadurecimento, desta vez sem direito a cirurgia de redução de culpa.

12 de mai de 2009

Heart-Shaped Box

Para a memória, lembrar das coisas nem sempre é a saída para uma vida saudável. Então é possível dizer que também é muito importante aprender a esquecer. Assim, o cérebro não vai precisar se esforçar para lembrar de tantas delongas. 

Ao lembrar de uma coisa, esqueço outras. Um movimento perfeitamente sincronizado. Por isso, vou esvaziando a caixinha com as fotos manchadas para que fiquem registrados somente os negativos alegres, aqueles que me fazem transbordar de ocitocina. Ainda que algumas gotas de álcool bloqueiem meu hipocampo ou o inconsciente empurre as informações recebidas para o outro lado, não precisarei lembrar conscientemente de tudo que sei, pois tudo o que desejo guardar terá seu lugar garantido. Assim como a memória, o coração também possui seus desígnios. 

Para ambos os casos, os lugares lá conquistados costumam ser vitalícios.

7 de mai de 2009

Originalidade a Gente Copia dos Outros

Pois num carnaval onde a visão é excessivamente solicitada, o importante é apresentar alguma coisa de concreto mesmo que falte um pouco mais de norte criativo. Cabelos tão anormais para fotos tão conceituais que se mostram em janelinhas mágicas, aquelas mesmas que me fizeram chegar até cada um. Dois, três, quatro, vários perfis de notória semelhança entre a raiz e a polpa: vazio. 

Tomando o princípio da matemática, aquela mesma que a gente estuda na escola sem ter-me-pra-quê, zero e vazio são coisas completamente diferentes. O vazio é ainda mais assombroso. Pois que as senhoras possam encher a cara com dois polígonos gigantes antes de empurrar um pouco de efeito luminoso. Por que não dar uma despintada com um óculos super cool que quase não cabe no meu rosto? Diretamente falando do que eu posso deixar implícito, diria que estou sofrendo de fobia visual. 

A rua está cheia de designers colocando sombras onde não há luz, fazendo corvos voarem em bandos e colocando alegria onde só há tristeza. Quantos quilos de reboco são necessários para reformar um apartamento de um metro e oitenta de altura cheio de espinhas? Ou será pedir demais pra gente tomar um suco dessa caixinha que tem uma embalagem mais capenga? Tão sistemática a paisagem didática pela qual sou ofendido, por vezes solicitado, noutras renegado. 

Quase tudo tem um trejeito, em outras palavras a reprodução do bem-estar-parcial-pseudo-plástico. O filme, a música, a cozinha, o tênis, a camisa do Seu Madruga, o abadá, a escova de dente, chapinha de passar no cabelo e muitos outros signos que não cabem numa mensagem de celular. A vida despista a deficiente inteligência humana com sua auto-referência cotidiana. A mesma mesa que antes recebia o jantar, hoje apóia o computador que alimenta nossos olhares para o próprio umbigo. Foi-se o tempo em que padaria só vendia pão e rosquinha. Malandro é malandro e Manel é Manel. 

Originalidade a gente copia do outros.