16 de set de 2012

Falsidade Ideológica Particular


Só queremos ser nós mesmos
E dançar conforme nossas próprias músicas
Ou com as quais nos apropriamos

Só queremos ter o que podemos
E vivenciar aquilo que supomos
Enquanto estamos à nossa procura

Só queremos acreditar em nós mesmos
E dar uma oportunidade para nossas certezas
E atravessar sem precisar de faixas

Só queremos alcançar a nós mesmos
Para sermos em tempo integral
Sem demais porta-vozes

Só queremos elaborar nossos desejos
Escrevermos nosso roteiro sem guias
E comemorarmos em datas que nós estipulamos

Apenas sermos para o que pensamos ser

Quem estamos sendo quando não somos nós mesmos?

5 de jul de 2012

Calado Quer Silêncio


Hoje eu resolvi picotar algumas falas
Por hora, estou eliminando palavras
Reduzindo pontuações e ênfases
Na verdade, estou diminuindo textos cotidianos
Cortando movimentos e aliciando atitudes
E está sobrando muito pouco
Pra ser exato, estou ficando calado
Alheio
Estou me livrando dessas coisas
E devendo menos explicações
Talvez eu me permita algumas interjeições
Talvez eu pense melhor
Quem sabe eu escute
Só me escute
Escuta só
Ouviu?

29 de mai de 2012

Sem Volta

Nem volta nem meia verdade
Volta e meia volta 
Volta e dá meia volta
Da meia volta você só pode voltar agora
Porque volta e meia você volta
Então
Passa na volta 
Que a meia verdade 
Já completou uma volta 
E dessa vez é sem volta

10 de mai de 2012

Juntos


Dividimos o copo, a rede, o filme, o suor, a unha, a reclamação.

Compartilhamos a nós mesmos na jurisdição do outro, despertando simultaneamente de um cochilo indesejado, separando as últimas almôndegas de acordo com a fome de cada um, temperando nossas afetividades.

Somos o que fazemos juntos quando estamos separados.

É também para mim o que faço com você.

26 de abr de 2012

O Tempo Acaba


Bem-vindo a EgoCity


Tem uma pessoa me esperando lá fora, alguém que não pode esperar.

Fico orgulhoso em ver meu tênis se desgastar antes do previsto. Porque ficar em casa com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar não é um dos meus objetivos cotidianos.

A rua é a vida, o quarto é o recolhimento.

Não quero passar agosto esperando setembro decidir meus passos com datas marcadas com outras pessoas, programas em que eu preferi me atrasar. 

Exatamente porque não sou nenhum deles, não usamos o mesmos chips, não temos as mesmas senhas, muito menos as mesmas contas, cada um que pague a minha quando aumentar um ponto na audiência da novela.

Se for assim, quero que o meu dinheiro dê voltas. Muito mais do que o cabo da TV possa dar ao passo do seriado da monotonia, onde todos os personagens se sentam em frente a si mesmos na hora do jantar.

Um programa de viagens anuncia: Bem-vindo a EgoCity. 

1 de mar de 2012

(In)Fidelidade


De Olhos Bem Fechados, 1999 (dir. Stanley Kubrick)

Pergunte a mulher o motivo de sua traição e rapidamente terá a resposta na ponta da língua. Em vez de assumir o desejo, ela tende a se fazer de vítima e acaba por colocar a culpa no homem. Ou porque o homem não era mais romântico, não a elogiava, não a procurava mais para o sexo ou porque não a dava mais atenção. Quando o homem trai, é safado. Quando é traído, é relapso.

É bastante cômodo acreditar que homem é safado por natureza e a mulher é santa por dedicação. Esse tipo de pensamento é bem pior por contaminar as relações amorosas de tal forma a comprometer o papel de cada um.

Mas se os homens heterossexuais são infiéis, quem são suas amantes – todas solteiras e livres ou também casadas e namorando outros?

Os homens assumem a sua infidelidade. Nada escapa de sua responsabilidade. 

Acontece que casar e ter filhos já não são os maiores objetivos de vida da mulher moderna, cujo empenho está voltado para o seu próprio bem-estar. O desejo de sentir desejada e de ter atenção conduz a pequenas e grandes infidelidades femininas.

Mulheres são tão infiéis quanto os homens. A maior diferença entre ambos não é comportamento, mas o discurso.

24 de out de 2011

Investimentos e Ações


SÃO LUÍS - Enquanto um conjunto de potenciais compradores forma um círculo em torno do produto, vários das maiores consumidores da cidade avaliam a possibilidade de se juntar à disputa.

Estamos analisando os prós e os contras de participar das ofertas.  Temos nossas próprias razões para desejar a continuidade do acordo, que ainda conta com uma torcida de algumas dezenas de usuários, apesar das dificuldades cotidianas enfrentadas. 

Todo mundo sabe onde isso pode parar de fato, no entanto ninguém ousa tocar no assunto. Em vez disso, grandes acionistas reforçam os comportamentos na intenção fazer uma  mútua oferta pelos produtos, de acordo com as outras pessoas informadas sobre a negociação. 

Em uma das combinações possíveis, me ponho a contribuir com pequenas quantias como parte de um consórcio liderado pela nossa firma e pelo Conselho de Investimento do Plano Internacional de Relacionamentos. 

De sua parte, você esteve conversando com duas acionistas a respeito da possibilidade de apoiar uma proposta de compra, de acordo com uma fonte segura. Essas conversas ainda estão nos estágios iniciais e podem não se converter numa oferta. 

O índice percentual da taxa de rompimentos permanece estável.

14 de out de 2011

Dual



Sua falta não traz desespero
impera, alheio, sonho
verdadeiro

Uma imagem sobreposta
refletida no canto da parede
eu, você e o espelho


9 de set de 2011

Tarantino, Exploitation e Queens of The Stone Age

Death Proof, 2007 (dir. Quentin Tarantino)
À Prova de Morte (Death Proof, 2007) é a segunda parte de Grindhouse, projeto criado, escrito e dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A empreitada era uma homenagem dos dois aos filmes de terror dos anos 70 que eram exibidos nos drive-in. Produções de custo barato que abusavam da estética exploitation: exploração do sexo, violência, drogas, monstros, nudez, kung fu, etc. Esses filmes se calcavam muito mais na publicidade desses temas do que nas qualidades da obra.

Cenas do filme Death Proof
À Prova de Morte tem todos os elementos que consagraram o cineasta e o tornaram um dos mais imitados e reverenciados ao redor do mundo.  Longos diálogos ácidos, violência graficamente estilizada, exploração do erotismo feminino com personagens marcantes e palavreado chulo estão entre as características principais de seu trabalhos. Tudo isso com uma trilha sonora recheada de clássicos de todos os gêneros pontuando as cenas. As tomadas são construídas com diferentes ângulos. E tome close-ups de pés descalços, rostos e personagens dando longas tragadas em seus cigarros, sem contar o uso de contra-plonguèes. Percebe-se também elementos cênicos que conectam com seus filmes anteriores, seja com personagens, locais, músicas ou marcas de produtos que não existem.

Uma grande referência ao trabalho dos diretores Tarantino e Rodriguez pode ser notada no videoclipe de 3's and 7's, da banda estadunidense Queens of The Stone Age.

Cenas do videocplipe 3's and 7's, do Qotsa.
O videoclipe flerta o tempo inteiro com o desejo latente entre carros potentes e vigorosos em equilíbrio com a anatomia feminina, mostrando perfeito encaixe com os anos 70. As cenas finais envolvendo dois potentes muscle cars são eletrizantes. Na tradução, os carros musculosos são típicos automóveis que surgiram nos anos 60 que tinham uma aparência robusta e equipados com potentes motores V8. Um sinônimo de velocidade, individualidade e atitude.

Print do single 3's and 7's.
Na verdade, pode-se dizer que o Qeens of The Stone Age é uma exploitation band. Seus sensacionalismos e espetáculos cuidadosamente confeccionados para a mídia, incluindo os strip-teases de Nick Oliveri frente à plateias de dezenas de milhares de pessoas (e eventuais passagens pela delegacia de polícia por atentado ao pudor) e músicas que só possuíam nomes de drogas vomitados um após outro em sequência brutal dão conta de tal associação.

"Nicotine, valium, vycodin, marijuana, ecstasy and alcohol"