26 de mar de 2010

Pura Ciência


O amor não move uma palha por si mesmo. Ele nada pode fazer a seu favor sem que esteja de acordo com o cumprimento legal do desejo humano.
Nós o inventamos na tentativa de amenizar nosso sentimento de decrepitude diante da morte, quando o medo transforma a solidão em estereótipo da felicidade.
O amor é o verdadeiro contrato social, uma versão renovada do banco imobiliário.
É frágil por não ter onde se apoiar, se consubstanciar; inseguro, por necessitar de apego incondicional; e eloqüente, por exigir bordões mágicos de manutenção da escala sentimental.

O amor foi inventado, é pura ciência. Cabe a nós encontrar o seu centro gravitacional.

18 de mar de 2010

Sinceridade (ou a falta dela)

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É muito mais excitante para a mulher testar a nossa capacidade de envovê-la que receber nossa sinceridade.
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16 de mar de 2010

Cabeça de Diamante


Você não encaixa ideias sobre si mesma nem torce para que seu discurso seja coerente, depois devolve as impressões com espanto e ironia.

Cheia de si, como de costume, você não consegue declarar o amor que sente nas diversas oportunidades em que seus olhos se cruzam aos meus.

Você é a Sibéria inteira, o inverno russo.

O que me espanta é o fato de existir algum tipo de sentimento ocasional que supere o famigerado amor-senso-comum dos filmes de Sessão da Tarde.

Ou talvez o amor de nossas vidas esteja apenas em nossas cabeças, lugar de onde jamais conseguiremos exportá-lo para o mundo real, daí a alcunha de romântico.

Não faz sentido apertar a campainha e ficar parado.



10 de mar de 2010

Olhos na Nuca


Ninguém tem um caminho pela frente. Você está exatamente onde ele acabou de chegar, veio junto com sua sombra pra não pagar pedágio. Só se sabe que ele está aí pelo peso das tomadas de decisão.  Isso sim te fez caminhar até o fim do começo do seu caminho, já que ele iniciou lá naquela luz estonteante focada na sua cara na hora do parto. O presente é todo passado. A sua vida é o que você muitas vezes deixou de ser e que, ironicamente, foi estabelecido como rumo naquele momento. Essa é a justificativa mais frequente em seu diário de bordo, nos sonhos e nas mesas de bar. Você é uma suposição de si mesmo. É fácil arrumar um argumento para tudo que se deseja, principalmente quando se trata de caminho. Seus amigos balançarão a cabeça e o seu dia seguinte será posto em questão novamente, embora tenha elaborado todo o discurso psicossocial da autonomia satisfatória. A felicidade é um atalho materializado por nossos passos.

3 de mar de 2010

Ecos Falsos


Durmo, acordo, sonho, revisito. Iniciativa é pra quem está preparado para ser criticado. Sou um anônimo no grupo até o momento da exposição, quando os olhos acomodados induzem o cérebro a trabalharem em prol do desmerecimento. Percebo então que não preciso inventar nada, apenas levar cada raciocínio ao seu devido lugar. Passei muito tempo ausente das atividades corriqueiras, extrapolei a conta dos prazeres individuais mais precisos. Até agora não sei onde fui parar, só me sobraram suposições de uma teoria infundada. Estou quase surdo de tanto pensar alto. Já sei, tive uma ideia...