27 de abr de 2010

Freud Explica


Um dia eu tive a chance de te falar dos meus sonhos, das minhas tolices e dos meus desapegos. Despi-me para que seu olhar me acolhesse ao invés de me clinicar. Você me olha, me quer, me confunde, se confunde, põe a culpa no vizinho de cima e relata os fatos ao psicanalista. Numa dessas você discute o amor baseado em algum livro do passado, toma nota de cada deslize intelectualmente inapropriado para o momento, exatamente como você um dia  argumentou a seu favor. Você se inventou. Levou a sério toda a literatura que poderia ter sido um hobby. Pois assim é a psicanálise, ela explica tudo. Pra tudo ela serve. Sua busca está no mesmo nível, suas suposições atormentam sua cabeça e pessoas continuam a passar junto com seu senso de distinção sentimental. Amor sem loucura é suposição. Freud explica, mas não dá conselho.