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| Amor em fuga, 1979 (dir. François Truffaut) |
13 de set. de 2011
9 de set. de 2011
Tarantino, Exploitation e Queens of The Stone Age
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| Death Proof, 2007 (dir. Quentin Tarantino) |
À Prova de Morte (Death Proof, 2007) é a segunda parte de Grindhouse, projeto criado, escrito e dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A empreitada era uma homenagem dos dois aos filmes de terror dos anos 70 que eram exibidos nos drive-in. Produções de custo barato que abusavam da estética exploitation: exploração do sexo, violência, drogas, monstros, nudez, kung fu, etc. Esses filmes se calcavam muito mais na publicidade desses temas do que nas qualidades da obra.
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| Cenas do filme Death Proof |
À Prova de Morte tem todos os elementos que consagraram o cineasta e o tornaram um dos mais imitados e reverenciados ao redor do mundo. Longos diálogos ácidos, violência graficamente estilizada, exploração do erotismo feminino com personagens marcantes e palavreado chulo estão entre as características principais de seu trabalhos. Tudo isso com uma trilha sonora recheada de clássicos de todos os gêneros pontuando as cenas. As tomadas são construídas com diferentes ângulos. E tome close-ups de pés descalços, rostos e personagens dando longas tragadas em seus cigarros, sem contar o uso de contra-plonguèes. Percebe-se também elementos cênicos que conectam com seus filmes anteriores, seja com personagens, locais, músicas ou marcas de produtos que não existem.
Uma grande referência ao trabalho dos diretores Tarantino e Rodriguez pode ser notada no videoclipe de 3's and 7's, da banda estadunidense Queens of The Stone Age.
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| Cenas do videocplipe 3's and 7's, do Qotsa. |
O videoclipe flerta o tempo inteiro com o desejo latente entre carros potentes e vigorosos em equilíbrio com a anatomia feminina, mostrando perfeito encaixe com os anos 70. As cenas finais envolvendo dois potentes muscle cars são eletrizantes. Na tradução, os carros musculosos são típicos automóveis que surgiram nos anos 60 que tinham uma aparência robusta e equipados com potentes motores V8. Um sinônimo de velocidade, individualidade e atitude.
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| Print do single 3's and 7's. |
Na verdade, pode-se dizer que o Qeens of The Stone Age é uma exploitation band. Seus sensacionalismos e espetáculos cuidadosamente confeccionados para a mídia,
incluindo os strip-teases de Nick Oliveri frente à plateias de dezenas de
milhares de pessoas (e eventuais passagens pela delegacia de polícia por
atentado ao pudor) e músicas que só possuíam nomes
de drogas vomitados um após outro em sequência brutal dão conta de tal associação.
"Nicotine, valium, vycodin, marijuana, ecstasy and alcohol"
18 de ago. de 2011
Volúvel
aqui muda tudo
toda hora o tempo todo
toda vez que permaneço
já mudou
de novo tudo
tem tempo
ainda na hora errada
porque mudo
16 de jul. de 2011
Dois em Um
Precisamos falar a mesma língua
Assistir aos mesmos filmes
Elaborar os mesmos estereótipos
Sonhar com os mesmos fenótipos
Dividir o mesmo teto
Reivindicar as presenças das mesmas pessoas
Acessar os mesmos sites
Rir das mesmas histórias
Jogar na cara um do outro as mesmas desavenças
Assistir aos mesmos filmes
Elaborar os mesmos estereótipos
Sonhar com os mesmos fenótipos
Ler os mesmos romances
Pensar no mesmo nome para nosso filho
Utilizar a mesma contaDividir o mesmo teto
Pensar no mesmo futuro
Encomendar a mesma pizzaReivindicar as presenças das mesmas pessoas
Acessar os mesmos sites
Ir aos mesmos lugares
Imaginar as mesmas cenasRir das mesmas histórias
Jogar na cara um do outro as mesmas desavenças
Precisamos somente daquilo que sabemos enxergar.
1 de jul. de 2011
23 de mai. de 2011
Vestígios
Um instinto de proteção capaz de lançar mão de um anonimato afetivo reluzente.
Situação que jamais poderia ser um crime perfeito, tão logo suas ideias começassem a fluir pelas palavras desenhadas em caixas de mensagens.Seus vestígios estão nas vírgulas, parênteses e reticências. Algo que não deixaria de ter pé ou cabeça, pois pressupõe pegadas dolosas.
Apesar da sua sutileza incisiva e da rispidez adversária, tudo o que liga você ao crime é fruto do depoimento de outro criminoso, cuja ficha policial remete a lembranças nem sempre agradáveis. Você sabe mais do que deve, mas nunca vai saber tudo o que precisa. Estamos livres, mas nem assim, mais felizes.
Diante dos fatos, julgo-te culpada pela ausência presente. 10 de mai. de 2011
8 de mai. de 2011
18 de abr. de 2011
O Preço do Bem-Estar
Os objetos servem para que sejamos aceitos socialmente, para nos tornar mais adequados a determinados estilos de vida. A nossa vulnerabilidade nos atos de consumo ocorre pelas escolhas serem comandadas pelas emoções, isto é, o sistema afetivo é o responsável por julgar o que é bom ou ruim.
Isso nos leva a crer que o design tem papel fundamental na sociedade de consumo ao reforçar o poder de sedução que os objetos, de uma forma geral, têm sobre nós.
Com a supervalorização do design, os objetos se tornaram muito mais que meros utensílios, para eles beleza também é fundamental. A fabricação de produtos esteticamente irresistíveis tem relação direta com o lado emocional do ser humano, pois quando nos deparamos com algo que julgamos atraente, a sensação imediata é a de bem-estar.
Em entrevista à revista Super Interessante (dez/2005), o psicólogo Donald A. Norman comentou que é por isso que escolhemos sempre aquilo que nos parece mais bonito, e não coisas que são apenas uma utilidade pura e simples.
Até porque as coisas bonitas, por causarem uma boa sensação, também nos dão a impressão de funcionarem melhor.
13 de abr. de 2011
Indiferença Premeditada
É hora de se desconhecer alguém que eu gostaria de retirar da lista da vida, seja ela real ou não, mesmo que o silêncio utilizado estrategicamente, como mecanismo de defesa, se torne uma arma a proferir chumbo contra o próprio atirador.
Além de educar os raciocínios viciados, a indiferença vale muito mais do que se imagina, pois sua liberdade encontra paz na ausência. Sua concepção está ligada ao excesso de envolvimento, quando os dicionários apontam seu discurso para o rumo contrário.
Por si só – a indiferença premeditada – representa a última tentativa. Ela aparece como medida emergencial a partir do momento em que todas as alternativas no processo de autonomia fracassam. Só mesmo alguém muito incomodado para optar pelo desprezo.
Mas como nenhum método é perfeito, o sucesso da empreitada em questão precisa considerar as sobras dos sistemas de significação.
Tem gente que se entrega pelo que não diz. Fala o que pensa, mas cala para se expressar mais ainda.
Um pouco de silêncio economiza bastante decepção.
10 de abr. de 2011
Tarantino e Menino de Recado
Isso é para mostrar o quanto Tarantino é fissurado pelo contra-plogée. Não há uma obra sua sem a presença do bendito plano.
Resolvi dar um print em uma cena de Menino de Recado para pontuar a referência ao trabalho do diretor. Confira o curta na íntegra aqui.
7 de abr. de 2011
Sem Crédito
- Legal demais esse teu celular de última geração. Ele faz o quê?
- Ainda não sei mexer direito, só sei que ele faz um monte de coisa. Comprei porque ele é o mais sensacional no momento.
- Massa! Será que dava pra tu tirar o 9090 da frente do meu número?
- Mas aí como é que eu vou te ligar? Tou sem crédito.
- Que tal tu vender esse aí pra comprar um popular e transformar a diferença em crédito?
5 de abr. de 2011
Presenteísmo
O futuro antes transpassava um ideal de estabilidade que permeava os lares e as mentes de parte da juventude que se preparava para a vida adulta.
No entanto, a volubilidade contemporânea trouxe a incerteza do amanhã, de que os casamentos já não mais são para sempre, de que novas tecnologias virão incessantemente a substituir as atuais e que nenhum emprego é fixo. Importa o aqui e o agora. A ênfase é o tempo, o instante que perdura.
A idéia de progresso tida pelo mundo ocidental como uma ferramenta de desenvolvimento, de democracia e de técnica industrial trouxe à contemporaneidade a paranóia da sobrevivência em meio à insegurança e à angústia da incompreensão do mundo.
Tal quadro faz parte de um novo cenário. Mega-corporações monopolizando vários ramos dos negócios; o discurso jornalístico apropriado maciçamente pela publicidade; carros lançados no mercado como xampus, isto é, sem nenhuma mudança estrutural significativa, apenas com “embalagens” diferenciadas; a moda “inverno” em cidades cujo sol forte brilha o ano inteiro; filmes, músicas e videoclipes de igual distribuição pelo mundo inteiro; comida oriental adaptada aos cardápios ocidentais; redes fast-food em antigos países comunistas. imagens de Che Guevara estampadas nas camisetas do mundo fashion; e ausência de traços bem definidos quanto à sexualidade.
Essa infinidade de opções traduz a nova ordem da vivência moderna.
3 de abr. de 2011
22 de mar. de 2011
Estaca Zero
Posso estar completamente perdido
Posso dizer coisas sem sentido
Posso ter parado no meio da estrada
Posso tudo e não posso nada
20 de mar. de 2011
17 de mar. de 2011
Swallow [A Andorinha de Batom Vermelho]
Eu vi você chegar de mansinho. Tinha a imagem camuflada e a identidade escondida na imensidão textual do blog. Nem de longe parecia uma menina com o olhar perdido. Trazia consigo a firmeza do passo de um soldado raso no dia da primogênita condecoração.
Quis ver de perto o que já havia se definido instantaneamente a partir da primeira troca de palavras.
Não experimento sapatos porque confio na pontuação de meus olhos.
Beijei seu olho e suas tatuagens feitas à mão com lápis de hidrocor. Respirei a sua fumaça, puxei o seu cabelo, encarei a sua inquietação. Sorri do constrangimento provocado pelas demonstrações públicas de carinho. Sorri. Só ri. Um riso contido no canto do rosto.
Liguei, deixei recado, improvisei bilhete, peguei carona, comprei chocolate caseiro com moedas de dez e cinco centavos, esperei sentado, tirei seus tênis, apresentei a varanda dos pensamentos longínquos.
Tornei-me uma alma perdida no limbo, que, de tanto bater na porta do paraíso, foi obrigada a inventar a sua própria salvação.
15 de mar. de 2011
1 de mar. de 2011
O de sempre
Alguns rabiscos pelo corpo e outras tantas inscrições cravejadas em papéis perdidos no tempo. Lembretes que se perderam de seu sentido original, mas que mantiveram vivas as premissas de suas conversas fiadas.
O mundo parece mudar lá fora. Aparece. E parece mudar de tantas as formas os ângulos das vistas sem pontos. Enquanto isso, novas memórias apresentam antigas reclamações. Nenhum sinal de que a natureza humana realmente mudou, embora isso não represente nenhum êxito existencialista.
Revisionismo crônico. O esforço da desambiguação dos termos que perderam sentido, mas que continuam a exalar o mesmo cheiro. Olhe lá, mal saíram de suas funções arquetípicas inacabadas.
Os modelos ainda prevalecem. Os sonhos ainda são os mesmos.
17 de fev. de 2011
Acaso [ou a falta dele]
Um dia tudo vai dar errado
Vários dardos sem direção
Alvos falíveis
Certezas humanas em vão
E quando você pensar em fugir
O destino vai te propor uma junção
Desencontrar para acertar o caminho
Enquanto se desconstroi a união
Vários dardos sem direção
Alvos falíveis
Certezas humanas em vão
E quando você pensar em fugir
O destino vai te propor uma junção
Desencontrar para acertar o caminho
Enquanto se desconstroi a união
4 de fev. de 2011
21 de jan. de 2011
O Novo Queridinho
Durante muitos anos Robert De Niro foi o queridinho de Martin Scorsese no meio cinematográfico. A parceria gerou obras como Caminhos Perigosos (1973), Taxi Driver (1976), New York, New York (1977), Touro Indomável (1980), O Rei da Comédia (1982), Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991) e Cassino (1995).
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| Martin Scorsese e Robert De Niro |
Mas o tempo passou e o aclamado diretor resolveu adotar um novo pupilo que, ao contrário de seu antecessor, já era detentor de uma relativa experiência interpretativa. A notar pelas suas atuações em Romeu + Julieta (1996), Titanic (1997), Homem da Máscara de Ferro (1998) e A Praia (2000).
Então, entra em cena, literalmente, Leonardo DiCaprio.
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| Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese |
“O diferencial de Leo é seu rosto extraordinariamente cinematográfico. Ele poderia ter sido um grande ator do cinema mudo porque tanta coisa acontece nos seus olhos, pode-se ler tanta coisa em seu rosto”, comenta Scorsese. (fonte: Miolão)
Parcerias Scorsese/DiCaprio
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| Gangues de Nova York, 2002 |
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| O Aviador, 2004 |
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| Os Infiltrados, 2006 |
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| Ilha do Medo, 2010 |
Mais em Banquete com os Deuses
20 de jan. de 2011
18 de jan. de 2011
Amor Cão
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| Amores Perros, 2000 (dir. Alejandro González Iñárritu) |
Ainda que tentemos esconder
Ainda que saibamos omitir
Também somos o que não vivemos
| Vencedor de 11 prêmios Ariel, Prêmio da Crítica em Cannes e indicado ao Oscar como Melhor Filme Estrangeiro. |
"O amor não magoa, a dor é tão complexa como fingida. Mas nós acabamos sempre por ser brilhantes actores." (César Carvalho)
2 de jan. de 2011
Redemoinho
Porque meus olhos se renderam sem demonstrar sinais de cansaço. Atitude e palavras incompatíveis enquanto o barco andava a duas mil léguas do destino. Não se sabe mais por onde iniciar um raciocínio, pois a construção frasal ideal não vem, assim como outras medidas permanentes nunca se tornaram profiláticas. Então, aquela desavença do começo, do motivo aparente, ganha fôlego. Ela começa no presente e termina no passado. Basta o sangue esquentar para o que estava fora mostrar sua cara. Escarrado e esculpido a face do dono.
| John Wilmot (Johnny Depp) em O Libertino, de Laurence Dunmore |
"Serei um cão, um macaco ou um urso,
Tudo menos aquele animal vaidoso
Que se vangloria tanto de ser racional."
(John Wilmot)
Tudo menos aquele animal vaidoso
Que se vangloria tanto de ser racional."
(John Wilmot)
10 de nov. de 2010
Sob a Mira
Fui tomado de assalto
Não pude resistir
Pois não havia objeção
Fiz tudo o que me foi solicitado
Só me falta gravar o intinerário
Para mirar aquele endereço
Quando quiser ser o alvo
30 de set. de 2010
Categoricamente Inviável
Não sei o que faço pensando em ti, sabotando minha sensatez a serviço da ilusão. Caminho construído a passos largos de verdades particulares, pois assim se ganha mais tempo na hora de explicar ao ciúme os motivos da austeridade, cuja força depende de relativo sentimento de posse.
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| Cena de Histórias de amor duram apenas 90 minutos |
Não estive lá de rosto colado com você naquela foto; não segurei sua mão naquela tatuagem que você suportou bravamente para ter gravada na pele; não estou no seu mural, no seu caderno de anotações, no seu chaveiro, enfim, na sua vida. Não posso sequer abonar as breguices do amor.
Tenho ciúme do que não vivi ao seu lado. E, mais além, padeço pelo que não serei lembrado.
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